Do Havaí para o Alasca: Alyeska com neve em junho e a primeira neve do Gustavinho, Earthquake Park, os hidroaviões do Lake Hood e a missão impossível de colocar as crianças para dormir com o sol da meia-noite.
Relato da nossa viagem de sabático em família, vivido em 10 e 11 de junho de 2019. Na época, o Dudu tinha 4 anos e o Gustavinho, 1. As informações atuais foram pesquisadas em novembro de 2026.
Saímos do Havaí e fomos para o estado mais oposto que poderíamos em questão de clima: o Alasca! Trocamos o chinelo pela blusa de frio, as tartarugas pelos ursos e o pôr do sol pelo… sol que não se põe. Hehehe. É um destino pouco comum, a gente sabe, mas é justamente isso que torna a viagem ainda mais interessante: tira a gente da zona de conforto, e nós adoramos isso! Viajar também é para abrir a cabeça e aprender coisas novas todos os dias.
E, sendo bem sinceros, quando pensávamos no Alasca, na nossa cabeça só vinha gelo! Só depois de começar a pesquisar é que descobrimos que, além dos glaciares, íamos encontrar uma natureza selvagem, preservada e ainda pouco explorada pelo turismo. Para começar essa jornada, escolhemos Anchorage, a maior cidade do Alasca.
Uma curiosidade antes de começar: o Alasca já foi russo!
O Alasca nem sempre pertenceu aos Estados Unidos. Ele foi comprado do Império Russo em 1867, por 7,2 milhões de dólares, depois de muita insistência de William Seward, então secretário de Estado. Seward foi duramente criticado e ridicularizado, porque muita gente achava que o Alasca era só uma região coberta de gelo que não servia para nada. O tempo mostrou o contrário: foram descobertas grandes reservas de ouro e petróleo, e em 1959 o território virou o 49º estado americano. Não à toa, a cidade de Seward, que visitamos dias depois, leva o nome dele.
Alyeska: neve em junho e a primeira vez do Gustavinho
Já no primeiro dia fomos até a estação de esqui de Alyeska, bem pertinho de Anchorage, por uma estrada de vistas deslumbrantes. A aventura começou no estacionamento: vários avisos sobre ursos na região, pedindo para não deixar comida nem lixo dentro do carro, porque isso atrai os bichos. Bem-vindos ao Alasca!
Subimos de bondinho até o alto da montanha e, quando saímos, uma vista linda de toda a região, com muita neve e gelo ainda no topo. Os meninos adoraram! O Dudu já conhecia neve de outras viagens, mas para o Gustavinho foi a primeira vez. E ele amou… menos quando escorregava no gelo e caía. Hehehe. A temperatura estava ótima, o dia estava lindo, e aproveitamos a estrutura da estação para almoçar lá em cima, olhando aquela paisagem.
E aí vem a primeira grande lição do Alasca no verão: em meados de junho, com temperaturas entre 15 e 20 °C, a neve estava só “compondo o visual” no alto das montanhas. Frio de verdade, nada! Para ver gelo de perto, teríamos que ir atrás dele (e fomos, nos próximos posts).
Earthquake Park: trilhas, dentes-de-leão e mosquitos gigantes
No dia seguinte fomos ao Earthquake Park, um parque lindo e super arborizado, feito em homenagem ao grande terremoto de 1964. Ele aconteceu numa Sexta-Feira Santa, 27 de março, durou 4 minutos e 38 segundos e mediu 9,2 graus: o maior terremoto já registrado na América do Norte e o segundo maior do mundo. O parque tem monumentos e painéis contando a história do terremoto e de como ele mudou a região.
As trilhas são bem acessíveis, dá até para ir com carrinho de bebê. Mas os nossos só queriam saber de correr e de soprar dente-de-leão! Depois de um tempo, a correria mudou de direção: fomos todos para o carro, porque já era fim de tarde e estávamos sendo atacados por mosquitos gigantescos. Proporcionais ao tamanho do Alasca! Fica a dica: não esqueça o repelente. Também vimos quase um congestionamento de bicicletas pelo caminho: muita gente aluga bike no centro e vem pedalar por ali.
Lake Hood: o “aeroporto” mais legal que os meninos já viram
Nesse mesmo dia fomos ao lugar que os meninos elegeram o aeroporto mais legal do mundo! Eles ficaram loucos assistindo ao vai e vem, aos pousos e decolagens de hidroaviões de todos os modelos e cores. Foram momentos de diversão, alegria e muita curiosidade, e claro, mais aprendizado para os pequenos aventureiros.
Como o Alasca tem muitas cidades de difícil acesso, sem estradas, o hidroavião é um dos meios de transporte mais eficientes por lá. E são centenas deles nesse lago, ao lado do aeroporto internacional de Anchorage. O Lake Hood é considerado a base de hidroaviões mais movimentada do mundo. No inverno, quando o lago congela, a superfície é usada por aviões com esquis!

Um fim de tarde pelo centro
Fechamos o dia passeando pelo centro de Anchorage, com direito a foto na cabana de troncos do centro de informações turísticas, com o famoso aviso de “cuidado com os alces”. O centro é pequeno, fácil de explorar a pé com as crianças.

A missão mais difícil do Alasca: colocar os meninos para dormir
Já ouviu falar no sol da meia-noite? Pois é! Lá o sol se “escondia” por volta das 23h30, mas só escurecia mesmo de madrugada. E para os nossos dois “pinga-fogos”, claridade significa hora de brincar! Mesmo com toda a nossa ginástica para “blindar” o quarto da luz, muitas vezes já passava das 22h e os dois ainda estavam pulando de uma cama para a outra.
Confesso que dormir “de dia” não foi fácil nem para nós: parece que a cabeça não desliga. Lá pela 1h da manhã ficava um pouco mais escuro, como uma noite de lua cheia… e às 4h, lá estava ele de novo. Pelo menos podemos dizer que tivemos dias longos e muito bem aproveitados! Agora, imagina o Alasca no inverno, quando quem faz esse papel é a lua… Preferimos o verão!
Dicas para quem quer ir hoje
- Prepare o quarto para o sol da meia-noite: máscara de dormir, cortina escura ou o que der para tapar a janela. Combine uma rotina de sono, porque o relógio do corpo das crianças fica confuso.
- Repelente sempre na bolsa: os mosquitos do fim de tarde são de outro mundo.
- Roupas em camadas: pegamos 15 a 20 °C em meados de junho, mas no alto da montanha ainda havia neve.
- Respeite os avisos de urso: nada de comida ou lixo no carro.
- Lake Hood é programa grátis e garantido: é só parar na beira do lago e assistir aos hidroaviões.
- Alugue carro: Alyeska e a Seward Highway pedem estrada, e o carro dá liberdade para parar nos mirantes.
Antes de ir, confira (pesquisado em novembro de 2026)
| Item | O que vivemos em 2019 | O que verificar hoje | Onde confirmar |
|---|---|---|---|
| Visto americano | — | Brasileiros precisam de visto dos EUA (B1/B2) para o Alasca | travel.state.gov |
| Bondinho de Alyeska | Subimos e almoçamos no alto | Funciona diariamente no verão (fim de maio a fim de setembro); preço por idade, sites de terceiros mostram valores diferentes | Alyeska Resort (site oficial) |
| Earthquake Park e Lake Hood | Passeios livres | Acesso, estacionamento e eventuais obras | Visit Anchorage |
| Ursos e segurança em trilhas | Avisos no estacionamento de Alyeska | Orientações de segurança com ursos | National Park Service |
Veja também no Instagram e no YouTube
Os posts que publicamos no @4familytrip durante esses dias em Anchorage, e mais vídeos no nosso canal do YouTube:
- Chegamos no Alasca: do Havaí para o estado mais oposto
- Alyeska: a cidade do alto e a primeira neve do Gustavinho
- Earthquake Park: trilhas, bikes e mosquitos gigantes
- Lake Hood: o aeroporto mais legal que os meninos já viram
- Sol da meia-noite: a missão de colocar os meninos para dormir
Continue a viagem com a gente
- Antes: North Shore com crianças: praias calmas e as tartarugas de Laniakea
- Depois: Seward Highway com crianças: ursos, icebergs e a estrada mais linda do Alasca
- Do mesmo país: Waikiki com crianças
Quer levar seus filhos ao Alasca?
Alasca com crianças pede planejamento fino: a época certa, hospedagem que ajude no sono com o sol da meia-noite, carro, distâncias realistas para o ritmo dos pequenos e passeios que valham a pena para cada idade. Conte para a gente a idade dos seus filhos e as datas, e a Pequenos na Mala monta esse roteiro com vocês. Também estamos no @pequenosnamala.
Perguntas frequentes
Vale a pena ir ao Alasca com crianças pequenas?
Para nós valeu muito. Fomos em junho de 2019 com o Dudu, de 4 anos, e o Gustavinho, de 1. Parques, bichos, neve no alto da montanha e hidroaviões encantaram os dois. O maior desafio foi outro: fazer os meninos dormirem com o sol aparecendo quase a noite toda.
Como é o sol da meia-noite em Anchorage em junho?
Em meados de junho, o sol se escondia por volta das 23h30, só escurecia um pouco de madrugada (como uma noite de lua cheia, por volta da 1h) e às 4h já estava de volta. Mesmo blindando o quarto da luz, muitas vezes passava das 22h e os meninos ainda estavam pulando de uma cama para a outra.
O que fazer em Anchorage com crianças?
O que fizemos e recomendamos: ver os hidroaviões no Lake Hood, correr pelas trilhas do Earthquake Park, passear pelo centro e subir de bondinho em Alyeska, perto da cidade, onde ainda havia neve em junho.
Precisa de repelente no Alasca?
No nosso caso, sim! No fim da tarde, no Earthquake Park, fomos atacados por mosquitos gigantes. Leve repelente para trilhas e parques.
Quanto custa o bondinho de Alyeska?
Não confirmamos o preço atual: o site oficial vende os ingressos online com valor por idade, e sites de terceiros mostram valores diferentes. Segundo o site oficial, o bondinho funciona diariamente no verão, entre o fim de maio e o fim de setembro. Confira antes de ir.







