Como foi chegar a Pequim com dois filhos pequenos: chip, VPN, táxi oficial, cartão recusado e leite caro, com o que mudou em 2026.
Relato da nossa chegada à China em 13 de maio de 2019, durante o ano sabático da família. O Dudu tinha 4 anos e o Gustavinho, 1 ano e meio. No fim do post separamos o que mudou de lá para cá (visto e pagamentos mudaram muito) com links oficiais para conferir.
Depois de 5 horas e meia de voo de Singapura, pousamos em Pequim apreensivos. Como seria o primeiro impacto? E o primeiro dia, com duas crianças pequenas, num país onde quase nada do que a gente usa no celular funciona?
Spoiler: deu tudo certo. Mas teve chip comprado em dinheiro, VPN salvando a internet, taxista querendo cobrar dois carros e um McDonald’s que recusou nosso cartão. Conto tudo aqui, para você chegar mais preparado do que a gente.
O voo pela Air China: gentileza a bordo e comida apimentada
Adoramos o avião e a atenção da tripulação da Air China. O voo estava lotado, praticamente sem lugar vago, e mesmo assim, logo após a decolagem, uma comissária viu o Gustavinho dormindo no nosso colo e nos ofereceu o único assento livre perto de nós. Depois de um dia longo e de uma noite agitada, foi um presente.
A única coisa que não gostamos foi a comida. O jantar era muito apimentado para as crianças: o Dudu nem conseguiu provar direito o frango com arroz ao curry e acabou jantando pão com manteiga (ainda bem que já tinha comido na sala VIP em Singapura). O Gustavinho dormiu o voo inteiro.
Dica: leve um lanche para as crianças no voo pela Air China.
Imigração e bagagem
Pousamos por volta das 5h40. A fila da imigração era grande, mas andou rápido e o atendimento foi eficiente. Não tivemos nenhuma prioridade por estar com crianças: encaramos a fila normalmente. Depois, um trenzinho leva até o saguão de bagagens. E OBA: as malas chegaram todas.
Internet: chip local e VPN (sem isso, nada funciona)
Nossa missão seguinte era descobrir o melhor jeito de sair do aeroporto, mas a internet não funcionava direito. Na loja ao lado da saída do desembarque compramos um chip local para turistas, válido por 15 dias (o tempo que ficaríamos na China): CNY 150, com 5 GB de internet 4G e 300 minutos de ligação local. A loja só aceitava dinheiro, então fomos ao caixa eletrônico sacar yuan.
Na China, os serviços do Google são bloqueados pelo governo. Nada de WhatsApp, Instagram, Facebook, busca do Google ou Google Maps. A solução foi um aplicativo de VPN: compramos a assinatura de 30 dias antes de desembarcar, e assim tudo funcionou. Não é perfeito: às vezes trava ou fica lento, aí é só desconectar e conectar de novo. Para mapas, usamos o Mapas da Apple, que funcionou perfeitamente (melhor que o Google Maps por lá).
Do aeroporto ao hotel: o golpe do “dois táxis”

Exaustos, decidimos ir de táxi. Logo na entrada da fila, um cartaz avisava para tomar cuidado com taxistas de má-fé, que cobram sobretaxas ilegais e dão notas falsas de troco. Alerta ligado.
Ao chegarmos aos carros, alguns taxistas disseram que nossa bagagem não cabia em nenhum carro e que teríamos que pegar dois táxis: um para as malas, outro para nós. Recusamos. Quando estávamos voltando para o saguão, uma funcionária do guichê oficial de táxis do aeroporto nos chamou: tinha um carro grande disponível. Pagamos direto a ela CNY 280 (cerca de R$ 160 no câmbio da época), mais CNY 10 de pedágio entregues ao motorista. Ela mostrou o valor da corrida no computador e nos acompanhou até o carro com o voucher.
Levamos 1h30 até o hotel, por causa do trânsito das 8h30 da manhã. Trânsito caótico, várias batidas pelo caminho e motoristas que não dão preferência para ninguém, muito menos para pedestres.
Chegamos ao hotel pouco depois das 10h e conseguimos fazer o check-in na hora. Perfeito, porque precisávamos muito descansar.
O primeiro passeio: cartão recusado e leite em pó caríssimo

No fim da tarde saímos para andar pelas ruas e shoppings perto do hotel. Fomos lanchar num McDonald’s e tivemos a primeira surpresa: ele só aceitava cartões de bancos chineses ou dinheiro. Ou seja, não conte só com o cartão internacional, nem em grandes redes.
Ficamos a um quarteirão da famosa Wangfujing Street, com um trecho fechado para carros e cheio de shoppings, onde dá para caminhar tranquilamente como num grande shopping a céu aberto. Tem de Zara e H&M a Rolex, Prada e Gucci.
Fizemos supermercado no Carrefour do shopping WF Central, que nos indicaram como o mais próximo. Não foi uma decisão barata: o shopping é chique e o Carrefour é pequeno, mais empório que supermercado, com preços “sofisticados”. O que mais assustou foi o leite em pó (fórmula) do Gustavinho: cerca de R$ 200 a lata, que no Brasil custava em média R$ 60.

Depois passeamos pelo shopping APM, com lojas como Apple e Toys”R”Us. Mas os preços não eram convidativos: na Apple estavam mais altos que nos Estados Unidos.

O que mudou desde 2019 (pesquisado em outubro de 2026)
- Visto: em 2019 precisávamos de visto. Hoje, brasileiros com passaporte comum entram na China sem visto para estadias de até 30 dias (turismo, negócios, visita e trânsito). A isenção vale até 31 de dezembro de 2026. Confirme antes de viajar no site da Embaixada da China no Brasil.
- Pagamentos: o problema do cartão recusado ficou bem menor. Hoje o Alipay e o WeChat Pay aceitam cartões internacionais (Visa e Mastercard) depois de uma verificação com o passaporte, sem conta em banco chinês. Configure os dois apps ainda no Brasil, faça um pagamento-teste e leve algum dinheiro em espécie de reserva.
- Internet: os serviços do Google, WhatsApp e redes sociais continuam bloqueados na rede chinesa. Resolva a conexão (VPN ou outra solução) antes de embarcar.
Dicas para quem vai chegar a Pequim com crianças
- Leve lanche para o voo se for de Air China: a comida pode ser apimentada demais para os pequenos.
- Resolva a internet antes de pousar. No aeroporto, sem conexão, tudo fica mais difícil.
- Tenha yuan em espécie para o primeiro dia (chip, lanches, imprevistos).
- Táxi: use só o guichê oficial do aeroporto e recuse abordagens na fila, principalmente a história de que as malas exigem dois carros.
- Leve fórmula infantil do Brasil para os primeiros dias: em 2019 pagamos mais que o triplo por lá.
- Peça check-in antecipado ao reservar o hotel se o voo chega de madrugada. Fez toda a diferença para nós.
Antes de ir, confira
| O que muda | Onde verificar |
|---|---|
| Isenção de visto para brasileiros (prazo e condições) | Embaixada da China no Brasil |
| Cadastro de cartão internacional no Alipay e WeChat Pay | Apps oficiais Alipay e WeChat (App Store / Google Play) |
Os valores citados (chip, táxi, leite em pó) são de maio de 2019 e servem como referência. As regras atuais foram pesquisadas em outubro de 2026 e podem mudar.
Veja esta viagem no Instagram e no YouTube
Muitos desses momentos nós mostramos em tempo real no Instagram @4familytrip, e o resumo em vídeo está no nosso canal do YouTube. Vale espiar:
- Nossa primeira impressão da China (Instagram)
- Praça da Paz Celestial (Instagram)
E o vídeo de China no nosso canal:
Continue a viagem com a gente
- Antes: Singapura com crianças: Jewel Changi, check-in antecipado e o susto que provou o valor do seguro
- Depois: Beihai Park com crianças: Pagode Branco, Cidade Proibida pela porta errada e Wangfujing
- Como planejamos o ano sabático: Sabático em família: dicas para montar o roteiro
China com crianças dá trabalho. Com planejamento, dá muito certo.
A China foi um dos destinos que mais exigiu preparo na nossa volta ao mundo: internet, pagamento, transporte, comida e até o leite das crianças. E foi também um dos que mais encantou a família.
Na Pequenos na Mala a gente monta a sua viagem para a China pensando nesses detalhes: roteiro no ritmo das crianças, hotéis bem localizados, traslados confiáveis, seguro viagem e o checklist de apps antes de embarcar. Conte a idade dos seus filhos e quando pensa em ir: quero planejar a China com a minha família ou chame no Instagram @pequenosnamala.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de visto para a China?
Para estadias de até 30 dias, não, enquanto valer a isenção (prevista até 31 de dezembro de 2026). Confira sempre a data atual no site da Embaixada da China no Brasil.
WhatsApp funciona na China?
Na rede chinesa, não. WhatsApp, Instagram, Facebook e serviços do Google são bloqueados. Nós usamos um app de VPN contratado antes de chegar.
Dá para pagar com cartão de crédito brasileiro na China?
Em 2019 tivemos o cartão recusado até no McDonald’s. Hoje o caminho é cadastrar o cartão internacional no Alipay ou no WeChat Pay e ter um pouco de dinheiro em espécie de reserva.
Como ir do aeroporto de Pequim ao centro com crianças e malas?
Nós fomos de táxi pelo guichê oficial do aeroporto, num carro grande, por CNY 280 mais pedágio em 2019, e levamos 1h30 por causa do trânsito da manhã.



